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  • Fernando Andrade

IMIGRAÇÃO BRASIL-JAPÃO - PARTE 2



O ano era 1908, o Brasil era então uma jovem republica de 19 anos, que havia abolido o sistema escravocrata no ano de 1888 (13/5) com uma economia agrícola centrada na produção do chamado “ouro verde” (café) a mão de obra imigrante era mais que necessária, e é nessa conjuntura que chegarão os japoneses.


Mesmo o Kasato Maru sendo considerado o marco inicial da imigração no ano de 1908, seria uma injustiça não mencionarmos a colônia de Macaé no Estado do Rio de Janeiro, criada por Ryu Mizuno (pai da imigração) no ano de 1907.


Diferente de povos cujos as línguas tinham raízes latinas (Espanha e Itália) os imigrantes japoneses terão no idioma uma de suas maiores barreiras em terras brasileiras.

O navio com 781 imigrantes parte do porto de Kobe no dia 28 de abril, no final de tarde de uma terça-feira, e chega ao porto de Santos, 52 dias depois no dia 18 de junho, uma quinta-feira.


A grande maioria dos imigrantes seguem rumo ao Oeste Paulista seguindo a “linha do trem” ao longo desse trajeto cidades como Marília, Pompéia, Tupã, e outras cidades dessas regiões se tornam fortes centros de imigração com destaque para Bastos, que é fundada em uma fazenda comprada pelo governo japonês.


Porem outros imigrantes ficam na capital e nas redondezas de São Paulo, começando assim a presença dos japoneses na capital paulista, e o Bairro da Liberdade se torna um ponto de grande concentração devido ao baixo valor do aluguel na época.


Ao longo dos anos a colônia japonesa começa a deixar sua marca na cultura brasileira, principalmente em Estados como São Paulo e Paraná que concentram as duas maiores colônias japonesas no Brasil.


Uma das principais contribuições do povo japonês ao Brasil foi à criação das cooperativas, tendo sido a CAC (Cooperativa Agrícola de Cotia) a primeira a ser criada, isso ocorre no ano de 1927 no dia 11 de dezembro, e em 1929 surge o “embrião” da Cooperativa Agrícola Sul Brasil na cidade de Juqueri.


Até a entrada do Brasil na II GUERRA MUNDIAL a adaptação era feita de forma gradual, não podemos afirmar que fosse um “paraíso” o cenário encontrado pelos imigrantes, mas as dificuldades eram vencidas com muito esforço e trabalho, e o surgimento da amizade entre os dois povos, mas não a amizade do Tratado de Paris, mas a amizade do povo na rua, do convívio de tantos povos em uma só nação.


O Estado de Guerra contra as nações do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) é declarado pelo Presidente Getúlio Vargas,no dia 22 de agosto de 1942 ,o que deixa a situação dos imigrantes dessas nações muito complicadas no Brasil.


Uma série de restrições é imposta a essas colônias, podemos mencionar o confisco de bens, a proibição de falarem seus idiomas nativos, proibição de reuniões alem do fechamento das escolas dos imigrantes que ensinassem os idiomas dessas nações.


A FEB (Força Expedicionária Brasileira) parte para a Itália no ano de 1944,seu desembarque se deu no dia 16 de junho de 1944, e um fato vai chamar a atenção na campanha da FEB em relação à colônia japonesa.


Um total de 40 soldados nikkeys lutaram na Itália, ocupando as mais variadas funções como telefonista, responsável pelo rádio, atirador, distribuidor de munição, mensageiro e padioleiro (que remove os feridos dos campos de batalha, porem ressaltamos a participação de Masaki Udihara que foi o primeiro descendente de japoneses a se formar pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), concluiu o curso em 1939. Poliglota, intelectual e que serviu como médico da FEB na Itália.


A II Guerra Mundial termina no ano de 1945, porem as relações entre os dois países voltariam apenas no ano de 1949, com a volta da imigração no ano de 1954.



Assinado por:


Fernando Andrade - Jornalista e Editor-Chefe do Canal Conexão Marília, Colunista e Editor do Blog O Observatório, Graduado em História pela Universidade UNOPAR. fluente em japonês e espanhol, possuir artigos Publicados sobre Imigração Japonesa, Canal “Okinawana Nop Brasil".


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