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  • Rafael S. de Oliveira

A DEMOCRACIA NÃO PODE SER “ABSTRATA”



Tenho visto de tempos em tempos o papel do cidadão na Democracia que muitos dos “antigos” construíram com a nova “Carta” assinada em 1988 (Constituição), pós-regime militar, muitos dessa época tinham medo dos militares engrossarem e recrudescerem, no entanto o medo foi-se para bem longe, um momento difícil do governo Sarney, tomado pelos “fiscais do Sarney”, hiperinflação, moratória da dívida externa, sucessão de planos monetários desastrosos, baixa popularidade do presidente e até no começo da volta a democratização as “Diretas Já”, um passado de altos e baixos da nossa “Nova República”

Seguindo os tempos, ainda tivemos a primeira eleição presidencial onde o povo pode escolher seus mandatários, houve momento de tensões políticas entre as duas correntes da época representadas pelo Collor e o Lula, mais uma sucessão de planos de estabilização da moeda fracassados, o sequestro da poupança, a recessão econômica, o choque da abertura comercial, as privatizações, os escândalos e por fim o “Impeachment”.

Vejamos que nas ocasiões o povo estava nas ruas, protestando, cobrando, exigindo, cantando, buscando alternativas, mesmo que muitas apaixonadas e ideológicas, nós sobrevivemos e aprendemos com o Plano Real, com a Lei de Responsabilidade, com as novas privatizações, as crises cambiais e uma série de situações complexas que por fim mantiveram a “Democracia” fortalecida.

Depois dessa digressão histórica incrível, o que mais me chama atenção é o povo, agindo como cidadão em cada uma das passagens históricas, sendo um dos atores responsáveis pelos processos de mudança do país e da sociedade.

Recentemente depois de muitos anos ocorreram as Passeatas de 2013, quando supostamente era o aumento do preço da passagens de transportes, quando na verdade era o sentimento de mal estar vivido pela população, pelas qualidade dos transportes, trânsitos, combate a corrupção, “Não Vai Ter Copa”, inúmeros gastos com as obras dos estádios o famoso “padrão Fifa”, as declarações de ex-jogadores com Ronaldo Fenômeno e Pelé

“Não se faz copa com hospitais”.

Mas enfim a insurgência do povo partiu exclusivamente da “internet” alguns por empolgação do momento, outros pelo sentimento de mal estar (lembramos que este mal é com L no final), criamos um novo modelo de protesto orgânico, partido pelo mundo digital, convocações em massa por todo o país, não muito diferente de outros países como a França, Espanha, Líbano, Venezuela, Argentina e mais recentemente o Chile.

Percebam que novamente o povo estava na rua, exigindo melhorias, talvez simbólicas dos diretos mínimos assegurados por suas constituições, a melhoria de serviços públicos, a qualidade de vida custosa e outros afins.

No Brasil depois do "Impeachment sofrido por Dilma Rousseff" a então presidente, ficou claro os novos sentimentos da população, recessão econômica, desemprego, crises internas, mau estar coletivo, corrupção, a judicialização da política, o brasileiro para o bem ou mal, entrou com toda a veia para política, hoje é mais fácil saber a escalação do time do judiciário do que o time do Flamengo (que na minha opinião vai ser campeão este ano).

No entanto é preciso entender que a Democracia não pode ser vivida em “abstratos” onde a população exige em momentos oportunos “melhorias de bem estar” mesmo que não identificados corretamente ou possivelmente não claros ou não explicados, os nossos poderes constituídos tomarem outro rumo ou agenda de tarefas e o que realmente precisa ser feito está longe de acontecer.

O Papel do cidadão é ser cidadão, é participar do processo político e social é preciso destacar a melhoria de representatividade dos eleitos com o povo, é tornar-se treinado aos ritos da democracia, aos calendários da democracia, isso exige muitos anos de aprimoramento cultural e pedagógico, mas estamos no caminho certo, mesmo que dando um passo a frente e dois atrás.


Assinado por:


Rafael S. de Oliveira – Mórmon/SUD – Com oficio de Elder e Especialista de Bem-Estar, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Vice-Presidente – O Observatório: Associação de Controle Social e Políticas Públicas da Zona Oeste de SP (mandato 2020-2023). Técnico em Políticas Públicas pelo PSDB (Partido da Social Democracia do Brasil), Engenheiro e ex-gestor por 3 grandes empresas (Luft Logistics, IGO SP e TCI BPO). Apresentador e Produtor pela Rádio Meteleco.Net (Programa Garimpo) e Colunista e Editor pelo Jornal Cotia Agora (Caderno de Música, Discos, Experiências e Cultura).

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